segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Para a mulher que sofre em silêncio

Há dores que não fazem barulho.
Elas não gritam, não sangram por fora, não pedem ajuda em voz alta.
Elas apenas pesam.

Pesam quando você acorda.
Pesam quando você sorri para não preocupar ninguém.
Pesam quando todos acham que você é forte — e você realmente é —
mas ninguém percebe o quanto essa força custa.

Você aprendeu a engolir o choro.
Aprendeu a ser funcional mesmo ferida.
Aprendeu a cuidar de todos enquanto se deixava por último.
E, aos poucos, foi acreditando que sentir demais era fraqueza
e que pedir colo era um luxo que não cabia na sua rotina.

Mas escute com ternura:
o silêncio não é sinal de maturidade quando ele nasce da dor.
É apenas sobrevivência.

Muitas mulheres sofrem assim:
não porque são fracas,
mas porque foram fortes cedo demais.
Porque tiveram que amadurecer rápido.
Porque aprenderam que amor vinha junto com exigência.
Porque foram ensinadas a suportar, não a ser cuidadas.

Você não está quebrada.
Você está cansada.

Cansada de ser firme o tempo todo.
Cansada de se explicar em silêncio.
Cansada de sentir culpa até por descansar.
Cansada de carregar culpas que não são suas.

Existe uma parte sua — ainda viva, ainda sensível —
que não quer mais sobreviver.
Ela quer respirar.
Quer ser vista.
Quer ser amada sem precisar merecer.

E essa parte não é pecado.
É verdade.

Deus não se afasta da mulher silenciosa.
Ele se aproxima.
Ele não te cobra palavras bonitas, fé perfeita ou comportamento exemplar.
Ele te encontra exatamente aí:
no quarto fechado, no banho demorado, no travesseiro molhado,
no pensamento que você nunca contou a ninguém.

Você não precisa continuar forte o tempo todo.
Pode ser verdadeira.
Pode ser frágil.
Pode ser humana.

A cura começa quando você para de se exigir e começa a se ouvir.
Quando troca a culpa por compaixão.
Quando entende que pedir ajuda não diminui sua fé —
revela confiança.

Hoje, permita-se um pequeno gesto de amor próprio:
não se julgue por sentir.
Não se diminua por estar cansada.
Não se abandone mais.

Você não nasceu para viver em silêncio.
Você nasceu para viver inteira.

E mesmo que ninguém veja agora,
Deus vê.
E Ele não se assusta com a sua dor.

Ele permanece.

 “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados,

e eu vos aliviarei.”

(Mateus 11:28)

Damaris Lisboa

Jornada Dloveis

Fé que abraça, amor que transforma

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