“Há dores que não podem mais ser ignoradas…”
Há dias em que olhar para o Brasil dói.
Dói ver o certo sendo tratado como errado,
e o errado vestido de glamour, aplaudido, defendido, incentivado.
Dói ver a verdade cochichando num canto
enquanto a mentira sobe em palcos iluminados.
Dói perceber que, enquanto uns planejam há décadas,
outros só acordam quando o estrago já foi feito.
Dói ver o trabalhador honesto sendo humilhado,
o corrupto sendo protegido
e o criminoso sendo transformado em vítima de um sistema que ele mesmo
alimenta.
Dói ver um povo enorme, rico em terra, talento e alma,
ser intencionalmente empobrecido, emburrecido, entretido, distraído.
Dói ver a educação sendo desmontada tijolo por tijolo,
a família sendo relativizada,
a fé sendo ridicularizada,
a consciência sendo sequestrada.
Dói ver homens e mulheres de bem,
trabalhadores, pais, mães, avós,
olhando ao redor com um nó na garganta e pensando:
“Em que momento tudo virou isso?”
Dói ver quem ama a verdade ser chamado de intolerante,
quem defende a vida ser acusado de atraso,
quem preza pela liberdade ser tachado de radical.
Dói ver o Brasil sendo usado, negociado, trocado, vendido em mesas onde
o povo não se senta.
Dói ver o jogo sujo de quem comanda,
enquanto quem paga a conta é sempre quem está na base.
Mas há algo que dói mais do que tudo isso:
o silêncio dos bons.
O silêncio de quem enxerga, mas se cala.
De quem discorda, mas se omite.
De quem se indigna, mas prefere se preservar.
De quem ora em segredo, mas nunca se posiciona.
De quem tem influência, mas escolhe não usar.
De quem poderia formar consciência, mas prefere entreter.
O Brasil não ficou assim de um dia para o outro.
Planos foram traçados.
Narrativas foram construídas.
Palavras foram invertidas.
Valores foram trocados.
O erro foi pintado de cor bonita,
e o acerto foi ridicularizado como ingenuidade.
E nós… fomos sendo empurrados para o canto.
Entre o cansaço e o medo.
Entre a impotência e a indignação.
Entre o “não aguento mais” e o “não sei o que fazer”.
Este livro nasce desse lugar:
do grito engasgado de quem ama o país,
de quem sabe que não é perfeito,
mas não aceita ser cúmplice.
Nasce da pergunta que ecoa, incômoda, insistente:
Se não nós, quem?
Se não agora, quando?
E da frase que corta como espada:
“O que me preocupa não é o grito dos maus,
mas o silêncio dos bons.”
Este não é um livro neutro.
É um livro íntegro.
Não foi escrito para agradar a todos —
foi escrito para acordar alguns.
Ele não vem para alimentar ódio.
Vem para despertar consciência.
Não vem para produzir mais guerra.
Vem para lembrar que equilíbrio não é covardia:
é maturidade.
Que Deus nos dê coragem para falar,
sabedoria para discernir,
amor para não desumanizar,
e firmeza para permanecer de pé
enquanto tantos escolhem se curvar.
Se este desabafo bateu em alguma parte sua que ainda sente,
então você está no lugar certo.
Respire fundo.
Você não está só.
E esta leitura é, também, um chamado.
Por Damaris Lisboa
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